segunda-feira, 15 de junho de 2009

Racismo: "Estadão" queria alguém contra as cotas, mas errou na fonte; gringo defendeu cotas e Cuba


Por Rodrigo Vianna
Parte da elite brasileira detesta essa história de cotas. Há um jornalista, à frente da Redação da TV Globo, que jura não haver racismo no Brasil. Até aí é problema dele. Mas o sujeito insiste em pautar "reportagens" que comprovem essa tese. A Globo tem duas ou três "fontes marcadas para falar" exatamente aquilo que o diretor de jornalismo quer ver no ar. São "especialistas" que defendem a mesma tese: o racismo no Brasil não existe, e estabelecer cotas é que vai "insuflar" o racismo nessa nossa sociedade doce, tranquila, onde impera a "democracia racial".
Entenderam? Racismo não existe. Cotas é que vão criar racismo. A "tese" é exposta seguidamente, nas "reportagens" da Globo, por uma socióloga do Rio de Janeiro e por um geógrafo paulista que tem opinião sobre tudo! Para não parecerem insensíveis, esses "especialistas" (sob patrocinio permanente do Ratzinger do jornalismo global) costumam defender que o certo é "educação de qualidade para todos", assim brancos pobres e negros pobres ganhariam o direito a um futuro melhor. Então, tá. A gente vai ficar esperando. Ou melhor: a gente não vai esperar, porque a sociedade brasileira resolveu investir nas cotas. Para horror da turma do Leblon e Higienópolis. A idéia dos que defendem cotas é a seguinte: educação de qualidade é pressuposto, serve para negros e brancos. Serve no longo prazo. E serviria mais ainda se essa fosse uma sociedade menos desigual. As cotas, por outro lado, dão um empurrãozinho a mais para aqueles que saem em desvantagem nessa corrida: os negros e seus descendentes, que foram escravizados durante mais de 3 séculos. Trata-se de fazer Justiça: trata-se de oferecer ferramentas diferentes para quem parte de condições diferentes.
A turma anticotas aceita, no máximo, no máximo, "umas cotas para pobres".
Até entendo: assim, não se mexe na velha ferida do racismo, nas memórias dos navios negreiros. Assim, não se atiçam velhas culpas, nem velhas perversidades. Assim, brancos e negros seguem irmanados pela "lei", que trata a todos com igualdade nessa doce terra. Certo?
O "Estadão" (aquele jornal meio decadente de São Paulo), que eu saiba, também é contra as cotas. Mas isso não impediu o jornal de entrevistar um professor dos Estados Unidos que desmonta a tese de Ratzinger e seus asseclas. Veja um trecho (a pergunta do repórter embute a tese da turma anti-cotas; e a resposta, direta, ajuda a desmontar a tese).

"(P) - Críticos das cotas para negros dizem que elas teriam o efeito colateral de "fomentar o ódio racial". O Brasil correria o risco de ser repartido em etnias. O sr. concorda?
Conforme dados oficiais do IBGE nos últimos 30 anos, o Brasil efetivamente já é uma sociedade bicolor. Pardos e pretos experimentam níveis de desigualdade e discriminações bastante parecidos e o IBGE juntou os dois grupos numa só categoria de ?negros?. Criar um sistema de cotas dividido em brancos e negros seria reconhecer a realidade social e racial do país. A sociedade brasileira não pode deixar de responder às marcadas e seculares desigualdades raciais que a afligem. "
Sugiro que vocês leiam a entrevista na íntegra. Até para notar como é confusa a edição feita pelo jornal.
O título - ''COTA PARA POBRE NÃO RESOLVE PROBLEMA'' - e o texto de abertura dão a entender que o especialista é contra as cotas para os pobres. Mas o que ele afirma é diferente: "cota para pobres não vai resolver os problemas enormes dos afro-brasileiros que estão na luta para entrar, ou avançar, na classe média". Ou seja: cota para pobre não basta, seria preciso ir mais longe, combinar vários tipos de ação afirmativa. O título escolhido pelo jornal deixa tudo na dúvida. Foi proposital?
(clique em "leia mais" para conferir a entrevista na íntegra; e tire suas conclusões sobre o racismo , sobre as cotas e sobre o jornalismo brasileiro)

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Definição de humor


Edgar Vasques, um dos mestres do humor gráfico brasileiro fala sobre as duas faces do humor.

Acredito que o humor é uma das armas intelectuais mais poderosas da história. Associando à opinião do humorista a emoção do humor, cria mensagens que marcam (intelectualmente) de forma duradoura. Sendo assim, acho que existe um uso "humano" do humor, pra marcar o ladrão, o corrupto, o violento, o canalha, o preconceituoso, aquele que prejudica a sociedade e muitas e muitas vezes acaba (de outra forma) impune. E tem o humor desumano, que alveja indiscriminadamente , tendo até preferência pelos mais fracos, aqueles que a sociedade (ou o acaso) já prejudica: é a piada de anão, de aleijado, de veado, de pobre, de negro, etc, etc. Ou seja, é bater em quem está caído...

domingo, 7 de junho de 2009

O terceiro mandato

Por Leandro Fortes
A imprensa brasileira não vai descansar enquanto não arrancar do presidente Lula, ou de algum ministro de Estado, uma declaração favorável ao terceiro mandato. A insistência com que a mídia tem tratado do tema, em ondas ciclotímicas cada vez mais curtas, revela aquele tipo de interesse que nada tem a ver com os fatos ou, no limite, com demandas jornalísticas. Trata-se de uma campanha infernal para colar na imagem de Lula a pecha de “ditador chavista” às vésperas de um ano eleitoral, como se fosse possível, a essa altura do campeonato, estabelecer semelhanças ideológicas e de ação governamental entre o presidente brasileiro e seu colega, Hugo Chávez, da Venezuela. Há mais de dois anos, escrevi uma matéria na CartaCapital (“Eterno factóide”) a respeito do assunto, quando a onda do terceiro mandato tinha como objetivo contaminar as bases eleitorais do governo, com vistas às eleições municipais de 2008, quando ainda rescendiam brasas sobre os escombros do chamado “mensalão”. Lá, pelas tantas, escrevi:
Clica abaixo e leia a íntegra desse texto esclarecedor em carta capital:

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Carlinhos Bugre


Carlos Roberto Pezzi de Ameida é Carlinhos Bugre e também Charlie Bugre e ainda Charlie Blues. Músico gaúcho, rockeiro portoalegrense fundador de várias bandas dos 70, 80 e 90 como Auge Perpléxo, Funeral, Star Rats e outras que criou e dissolveu. Produtor cultural, ( criador da Fenasom, festival que inaugurou a época de shows no Araujo Viana, 1974, lançando dezenas de músicos), guitarrista, poeta, compositor e frasista . Passou de 1º colocado no concurso do Banco do Brasil em 1968 a morador de rua desde 1996, (evoluindo ao contrário, segundo suas próprias palavras), transformando-se numa espécie de Bob Dylan dos sem-teto. Com apurado senso de humor no país dos axés, pagodes e sertanejos, Bugre não se entrega e segue compondo e criando rock's que matariam de inveja qualquer pop moderninho . Se define como; "um gênio", e complementa; "um gênio da garrafa." Referindo-se ao hábito de beber.

onfira a comunidade do Bugre:

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Que se lixe a CPI da Corrupção no governo Yeda!

Direto do blog;


Que se lixe a CPI da Corrupção no governo Yeda!
A então candidata a governadora Yeda Crusius, nas eleições de 2006, formou a coligação Rio Grande Afirmativo (PSDB, DEM, PPS, PSC, PL, PAN, PRTB, PHS, PTC, PRONA, PT do B), indicando o vice Paulo Feijó (DEM). Contou com o apoio do PPS de Nelson Proença que desistiu na última hora de se candidatar a governador, fechando uma aliança para que seu colega de partido Mário Bernd se candidatasse ao senado. Com a marca de campanha “novo jeito de governar” com “choque de gestão” disparou nas pesquisas tirando Germano Rigotto (PMDB-PTB-PMN) para o terceiro lugar e indo para o segundo turno com Olívio Dutra da Frente Popular (PT/PC do B). Diversas polêmicas marcaram a campanha de Yeda. O comentário racista em relação ao ex-governador e também candidato Alceu Collares do PDT, o atrito do seu vice Paulo Feijó, defensor de privatizações, desautorizando-o a defender tal política como proposta de governo. Mas talvez a maior crise foi com seu marqueteiro de sua campanha, Chico Santa Rita, que a acusou no jornal Zero Hora de inadimplência. Ele acabou abandonando a campanha, e a equipe técnica, sem conseguir receber os salários atrasados interrompendo os trabalhos.Depois de diversos obstáculos a candidata Yeda vence as eleições no 1º turno e recebe apoio do PMDB, PTB, PMN e parte do PDT que liberou a militância. Com isso vence as eleições no 2º turno, desbancando a Frente Popular. Na sua primeira obsessão de atingir o déficit zero, a governadora Yeda, envia uma proposta para a Assembléia Legislativa numa tentativa de aumentar o ICMS. Mas essa ação foi derrotada inclusive pelos deputados da base governista e dizem que foi articulado pelo vice Paulo Feijó que na época rompeu publicamente com a governadora. Chegando aos cem dias de governo a governadora entrou em atrito com então Secretário da Segurança Enio Bacci, argumentando que ele tinha ligação com o jogo do bicho. Por sua vez, Bacci revelou que havia entregado um dossiê sobre a corrupção da banda podre da polícia gaúcha.De lá pra cá já foram trocados 46 pessoas entre secretários de estado e diretores de fundações.Na terça-feira 12 de fevereiro de 2008 começou a CPI do Detran. Esta investigação parlamentar foi motivada pela Operação Rodin, executada pela Polícia Federal no Rio Grande do Sul. Trata-se de um esquema de fraude, cujo levantamento, apontou R$ 40 milhões desviados ao longo de pelo menos cinco anos. A CPI teve como objetivo investigar as fraudes no sistema de obtenção e renovação de carteiras de motoristas, que teriam segundo revelado pela Operação Rodin da Polícia Federal, desviado R$ 40 milhões dos cofres públicos. Uma planilha apreendida pela Polícia Federal na Operação Rodin, em novembro, detalha o destino do dinheiro na fase final da fraude no Detran RS. Na denúncia do Ministério Público Federal, a lista é mencionada como evidência do pagamento de subornos. Seria uma espécie de mapa da propina paga a funcionários do governo que ajudaram a montar um esquema de fraude a partir do superfaturamento de 40% dos valores cobrados para avaliar os candidatos à motorista. A planilha estava em poder de José Antônio Fernandes, dono da Pensant Consultores e acusado de ser o mentor do desvio por meio de um esquema envolvendo duas fundações ligadas à UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), que repassavam dinheiro recebido do Detran para empresas subcontratadas irregularmente. Essas empresas, segundo a Procuradoria, pagavam suborno a servidores e a operadores políticos. Além disto, parte do dinheiro desviado, diz a denúncia, serviu para o enriquecimento dos donos das empresas. A planilha mostra como foram distribuídos os R$ 2,2 milhões por mês que a Fundae (Fundação para o Desenvolvimento e o Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura) recebia do Detran nos três meses que antecederam a operação da PF.A lista relaciona os nomes de empresas com valores em reais. Ao lado da coluna de valores aparece outra com o título “Desp. Op.” As “despesas operacionais”, diz a Procuradoria, são os valores com que cada empresa “contribuía para a formação da propina”. Variam de R$ 450 mil a R$ 472 mil mensais entre agosto e outubro. Das empresas citadas, quatro pertencem a Fernandes ou a seus familiares -Pensant, IGPL, GCPlan e Natchigall Luz Advogados Associados. Segundo a denúncia, tratava-se da “espinha dorsal” da fraude. Em agosto e setembro, as empresas receberam R$ 1,06 milhão e empregaram R$ 510 mil nas “despesas operacionais”.Quando foi preso, Rubem Hoher, dono da Doctus Consultoria, listada na planilha, disse à PF que o dinheiro circulava em malas. Também na lista, a Carlos Rosa Advogados Associados recebeu até agosto R$ 132 mil, que teriam sido repassados à propina, diz a denúncia. A lista mostra que a Fundae repassou verba à Fatec.Hoje, são 39 os réus na Justiça, pois Marcelo Cavalcante era um dos 40 réus. Cavalcante foi encontrado morto dia 17 de fevereiro em Brasília no Lago Paranoá dias antes de prestar depoimento a Justiça. Outra operação da Polícia Federal chamada de Solidária, revela ainda mais indícios de corrupção no governo Yeda, as investigações são sobre irregularidades nas barragens do Jaguari e Taquarembó, no rio Santa Maria (RS). O secretário estadual de Irrigação e Usos Múltiplos da Água, Rogério Porto é suspeito de fornecer informações privilegiadas sobre a licitação das barragens às empresas MAC Engenharia e Magna Engenharia. Também estariam envolvidos o deputado federal Eliseu Padilha (PMDB) e a ex-secretária adjunta de Obras Públicas, Rosi Bernardes.As barragens de Jaguari e Taquarembó são as principais construções do Programa Estruturante Irrigação é a Solução, do governo estadual. Somente a construção de hidrelétricas tem um orçamento previsto de R$ 106 milhões. Recentemente, no dia 10 de maio do corrente ano a revista Veja denuncia outro esquema de corrupção no governo Yeda e sobre o uso irregular de recursos de campanha para a compra da mansão da governadora. A publicação revela o conteúdo das gravações de conversas entre dois ex-assessores de Yeda, Lair Ferst e Marcelo Cavalcante.A revista teve acesso à 1h30 das gravações. A governadora Yeda em entrevista coletiva concedida após a circulação da revista, reconheceu a existência do diálogo dos seus ex-assessores. A viúva de Cavalcante, Magda Koenigkan, afirmou à revista que o governo pressionava o seu marido para negar que a voz fosse sua. No dia 12 de maio a bancada do PT na Assembléia gaúcha começou a recolher as 19 assinaturas necessárias para abertura da CPI da Corrupção denominada pela oposição ao governo. Mas uma verdadeira saga ocorre aqui no Rio Grande, não bastasse à seca que assola o estado a crise política e institucional gera um verdadeiro “surrealismo” que impera na Assembléia Legislativa.Até agora assinaram o requerimento 17 deputados dos 55 existentes entre eles as bancadas do PT, PC do B, PSB. Nos Democratas dois dos três parlamentares assinaram e no PDT mais dois, sendo que já tem o indicativo de mais um deputado do partido que irá aderir. Depois de todos esses fatos expostos, acredite se quiser, ainda tem 38 deputados e deputadas que esperam novos fatos para assinaram o requerimento da CPI. Fica a impressão que a maioria do parlamento gaúcho quer mesmo que se lixe a CPI da Corrupção no governo Yeda.

domingo, 17 de maio de 2009

CPI da "Petrobrax"

Texto esclarecedor direto do blog http://www2.paulohenriqueamorim.com.br/

Os tucanos querem desmoralizar e desestabilizar a maior empresa brasileira para servir a seus patrões: os privatizadores. Fernando Henrique abriu a exploração aos grupos estrangeiros na esperança de destruir a Petrobrás e vendê-la.
Fernando Henrique era a favor da privatização da Petrobrás. Ele e aquele que ele chama de “brilhante”, Daniel Dantas.
Daniel Dantas recebeu de Antonio Carlos Magalhães a incumbência de estudar a privatização da Petrobrás como forma de o PFL contribuir com o governo que se iniciava, o de Fernando Henrique Cardoso.
Como primeiro passo do marketing de privatização da Petrobrás, os cérebros que cercavam Fernando Henrique iam mudar o nome da empresa para “Petrobrax”, marca evidentemente mais globalizada…O sufixo “bras” provocava comichão em Fernando Henrique, que, em entrevista à Revista Piauí, qualificou a solenidade do 7 de Setembro de “uma palhaçada” (ele deve comemorar o 4, o 9 ou o 14 de Julho, em silêncio).
Na superfície, os senadores tucanos querem a CPI para salvar o mandato. O objetivo, porém, corre em águas profundas.
O que os tucanos querem é impedir que se crie uma nova agência estatal para administrar o pré-sal e, como na Noruega, através de um fundo de investimento, transferir os recursos para a educação.
Os tucanos, como os seus antecessores do PiG (*) fora do PiG (*), Assis Chateaubriand e Roberto Campos, estão a serviço do capital estrangeiro.
Tomara que a ministra Dilma Rousseff e o presidente Lula, nos palanques da campanha de 2010, digam assim, com todas as letras: o Serra vai privatizar a Petrobrás.
Paulo Henrique Amorim

domingo, 3 de maio de 2009

O teatro dos opressores


Por Nei Duclós.

Você liga a televisão a qualquer hora do dia ou da noite e aparecem três personagens, cantando, rindo, conversando, jogando, se abraçando, sacudindo os braços, atuando em novelas, shows, gincanas, bate-papos, sendo alvo de homenagens, virando personagens de filmes, conversando com Xuxa, Angélica, Faustão: Zezé di Camargo e Luciano e o cantor Daniel. Você jamais vê Edu Lobo, José Gomes, Claudio Levitan (que acaba de ganhar o Prêmio Açorianos de melhor cd infantil, com a opereta Pé de Pilão), Bebeto Alves (outro ganhador do Açorianos e super homenageado pela carreira de 23 discos). Aí, de repente, você fica sabendo que Augusto Boal morreu.Ou seja, o Boal, autor de inúmeras obras, de peças magníficas como Arena Conta Zumbi (junto com Gianfrancesco Guarnieri e músicas de Edu Lobo), autor do Teatro do Oprimido, de renome internacional, que chegou a ser indicado para o Nobel da Paz, jamais aparece na programação, a não ser em forma de necrológico. A televisão brasileira, túmulo do país, é especialista em necrológicos que soam como vingança contra o talento. Foi assim com Ingmar Bergman e tantos outros. Boal, nascido um ano depois da revolução de 1930, foi também escritor de romances e novelas, além de peças de teatro, poemas etc. Diante da gigantesca omissão, e em frente às câmaras na hora do funeral, Juca de Oliveira foi sucinto, falou pouco. Fez muito bem. Agora que morreu querem saber de Boal? Quem tem que escancarar as telas e microfones para pessoas de grande importância cultural são as redes de televisão, que ficam entupindo a população de porcarias, desses gritões que deveriam estar numa escola de música. Mas, contente-se: morto aos 78 anos de leucemia, Boal teve seus segundos de exposição na mídia. E tudo volta ao “normal”.

Leia a íntegra desse magnífico texto do poeta e jornalista Nei Duclós no blog http://www.outubro.blogspot.com/

sábado, 2 de maio de 2009

Primeiro de Maio - Dia de cassetada mundial no lombo de trabalhador


Por José Antônio Silva.
"Quando se instituiu a data de Primeiro de Maio como Dia do Trabalho (ou, na versão contemporânea, Dia do Trabalhador), pretendeu-se homenagear trabalhadores assassinados na Chicago de 1886, durante uma greve. Dezenas de operários e operárias foram mortos pela polícia. Como o movimento crescesse a partir desta chacina, os líderes grevistas foram presos e julgados: cinco balançaram na forca e outros tantos encararam a prisão perpétua.Os crimes destes perigosos elementos, nocivos à ordem social? Pois ousaram reivindicar um descanso semanal. Um piso salarial. Um número máximo de horas trabalhadas por dia.Pode-se dizer, portanto, cara leitora, caro leitor, que devemos este aprazível feriadão a coragem de alguns trabalhadores, que queriam deixar de ser escravos urbanos, já em época avançada da revolução industrial.Não é só o feriado que devemos a eles, claro. A mobilização e luta destes e outros sindicalistas e militantes sociais permitiu que hoje os trabalhadores, na maior parte do mundo, possam ter férias, abonos, salários mínimos, planos de carreira, e outras conquistas agora estabelecidas em lei e consideradas direitos naturais."
Vá direto ao blog http://lavralivre.blogspot.com/ e confira na íntegra o belo texto de José Antônio Silva

quarta-feira, 29 de abril de 2009

As mais tristes imagens


O fdp que assassinou Che Guevara foi testemunha do último ensinamento desse nosso melhor exemplar da espécie humana, Che disse ao sargentinho boliviano treinado pela CIA; "Saiba que está matando um HOMEM".

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Depressão?


A depressão está associada a alterações na atividade da área conhecida como cortex pré-frotal, que mantém conexões com estruturas mais profundas do cérebro, associadas as emoções. Vários estudos realizados desde a década de 90 mostraram que, no cérebro dos deprimidos, o fluxo sangüínio e a atividade dos neurônios no cortex pré-frontal do lado esquerdo estão diminuidos e que há uma inversão no padrão de atividade entre os dois lados do cérebro, ou hemisférios cerebrais. Ou seja, nenhum fator externo, (recebimento de uma herança milionária, conquista de um grande amor, ganho de prêmios ou horrarias), nada, com exceção de pesados exercícios físicos que auxiliam por período curto de tempo, geralmente uma ou duas horas após o termino dos exercícios, tem capacidade de eliminar o sufocante sentimento de tristeza. Entre 80 e 90% dos casos de depressão só apresentam melhora com o uso de forte medicação e entre 10 e 20% dos casos nem com medicação. É impossível a leigos, privilegiados que não sofrem de depressão, entender o poço escuro que transita um depressivo crônico e dessa ignorância surgem muitas injustiças e errôneos juízos de valor em relação a enfermos que nem conseguem reagir. Além disso a depressão é campo fértil para inúmeras doenças, pois deixa o indivíduo com taxas imunológicas semelhante a portadores do HIV.

terça-feira, 21 de abril de 2009

O advogado do diabo

Um passarinho me contou que o tal mensalão começou com o senador Eduardo Azeredo, PSDB de MG, trazendo pra política o "empresário" Marcos Valério, que na verdade era o tesoureiro da máfia e que no governo FHC organizava os projetos a serem votados negociando o preço, como no escândalo da emenda da reeleição do sociólogo Fernado Henrique Cardoso. Sempre a serviço das empresas, as que pagavam é óbvio, grandes ou pequenas dependendo da importância do parlamentar. Assume o PT, o Dirceu chega no congresso e a quadrilha liderada pelo Roberto Jéferson, (PTB), lhe avisa como funciona. Diz que dos 513, ele, Jéferson, representa 380 deputados. Pasmem! No ano de 2001/2 o congresso, dos 513, tinha quase 400 parlamentares que recebiam mensalão, toda a direita e alguns "independentes", o Dirceu contrariando toda tradição e história do PT, disse; tudo bem. Na certeza que naquele momento era impossível enfrentar. O governo Lula nem assumiria. O problema foi que na primeira oportunidade que teve, Dirceu deveria interomper a sangria e não fez, aí o modelo ficou insustentável. Eis a verdadeira história do mensalão.

segunda-feira, 16 de março de 2009

O samba do crioulo doido serve a quem?

Amigo, eu li o teu post no blog, deu uma aula na tigrada. Mas parece não adiantar nada, 5 min. depois tá a mesma ladainha, Fudêncios e Maias da vida, tropa de choque da direita guasca yedista, postando merda, até com codinomes e confundindo a freguesia. E agora o nosso blogueiro posta um prefácio de Michel Foucault, brilhante como sempre, sobre, em resumo, o facismo que em nós habita, que como análise profunda e sincera tem imenso valor, mas alí só vai servir de escada pros reaças de plantão nos acusar de totalitários, sectários, intransigentes que não querem ouvir a merda que eles escrevem. As vezes sinto na postura do blogueiro em questão, admirado por mim na maioria de seus textos, alguém que quer passar a imagem de moderninho e democrático, que aceita a pluralidade de opiniões, etc, etc. Ingenuidade? Não creio. O que afirmo é que todo o pensamento válido humano, humanista, sincero, questionador é invariavelmente de esquerda, a própria pluralidade está na esquerda, daí a máxima folclórica, mas verdadeira de que; "a esquerda só se une na cadeia," e numa visão mais ácida eu diria; nem na cadeia, tal o leque de possibilidades. Mesmo que o autor do pensamento se defina, erradamente, de direita, a grande criação tem luz própria. A obra do Borges é de esquerda, do Nelson Rodrigues é de esquerda, do Millor e de um sem número de pensadores e artistas, mesmo que eles neguem, pelo seu alcance, intensidade criativa e poder transformador, é de esquerda. Na minha humilde experiência o que tenho notado e confirmado, sem exeção, é que toda expressão humana verdadeira, original, criativa, questionadora, contestadora, assim como a filosofia, a poética literária, visual ou sonora, promotora do crescimento humano é de esquerda. Não tem saída, pensou de forma sincera, original, manifestou uma virtude humana é de esquerda. Então não vejo totalitarismo nenhum em bloquear esses aproveitadores desonestos que se utilizam de meias verdades, toda meia verdade é uma mentira inteira, para confundir, diluir os crimes num lugar comum imaginário e fabricado, no intuito de perpetrar a mesma canalha no poder, tudo orquestrado por seu fiel cão de guarda; a mídia. Ou seja, não existe neles vontade de avançar na compreensão e solução dos problemas, mas simplesmente preservar o status quo, defender o indefensável. Então, mais que justo bloquear suas provocações.
abraço
Simch

domingo, 8 de março de 2009

Van Gogh por Antonin Artaud


Em fevereiro de 1947 Artaud foi ver a mostra de Van Gogh no museu de l’Orangerie, no qual estavam expostas 173 obras do grande pintor holandês. Pouco antes saíra no jornal Arts um artigo de um psiquiatra focalizando Van Gogh sob um ponto de vista clínico intitulando-o inclusive de degenerado. De volta da exposição Artaud pôs-se a escrever imediatamente seu texto. Consta que o teria escrito em dois dias. Na verdade, a maior parte foi feita em uma semana. Foi publicado em setembro de 1947 e logo em seguida recebeu o prêmio Sainte-Beuve; na época, o principal prêmio literário para ensaios na França. Não deixa de ser uma ironia o fato do marginalizado Artaud receber um prêmio dessa importância e de viver uma espécie de consagração - seus textos eram publicados logo depois que terminava de escrevê-los e as Cartas de Rodez já estavam na segunda edição - no fim da vida, quando já definhava às vésperas da morte. Van Gogh é um dos textos mais bonitos, de maior intensidade poética de Artaud. Há uma espécie de síntese, de junção do texto corrido das Cartas e da batida mais compassada, mais ritmada do Momo e de Ci-Gît. Quando o assunto era algum outro “maldito” hiper-romântico, Artaud escrevia apaixonadamente. Isso pode ser visto também na sua carta sobre Lautréamont, de 1946, e no seu texto sobre Gérard de Nerval.
Fiama Hasse Pais Brandão

Retrato e a fotografia do pintor.
Van Gogh: o Suicidado Pela Sociedade
(trechos)
Pode-se falar da boa saúde mental de van Gogh, que em toda sua vida apenas assou uma das mãos e, fora disso, limitou-se a cortar a orelha esquerda numa ocasião, num mundo no qual diariamente comem vagina assada com molho
verde ou sexo de recém-nascido flagelado e triturado, assim que sai do sexo materno. E isso não é uma imagem, mas sim um fato abundante e cotidianamente repetido e praticado no mundo todo. E assim é que a vida atual, por mais delirante que possa parecer esta afirmação, mantém sua velha atmosfera de depravação, anarquia, desordem, delírio, perturbação, loucura crônica, inércia burguesa, anomalia psíquica (pois não é o homem, mas sim o mundo que se tornou anormal), proposital desonestidade e notória hipocrisia, absoluto desprezo por tudo que tem uma linhagem e reivindicação de uma ordem inteiramente baseada no cumprimento de uma primitiva injustiça; em suma, de crime organizado. Isso vai mal porque a consciência enferma mostra o máximo interesse, nesse momento, em não recuperar-se da sua enfermidade. Por isso, uma sociedade infecta inventou a psiquiatria, para defender-se das investigações feitas por algumas inteligências extraordinariamente lúcidas, cujas faculdades de adivinhação a incomodavam. Gérard de Nerval não estava louco, mas o acusaram de estar louco para desacreditar certas revelações fundamentais que estava em vias de fazer; e, além de acusá-lo, certa noite golpearam sua cabeça, golpearam-no fisicamente para que esquecesse os fatos monstruosos que ia revelar e que, por causa deste golpe, passaram do plano mental para o plano supranatural, pois a sociedade toda, conjurada contra sua consciência, mostrou-se naquele momento suficientemente forte para obrigá-lo a esquecer sua verdade. Não, van Gogh não estava louco, mas suas telas eram jorros de substância incendiária, bombas atômicas cujo ângulo de visão, ao contrário de toda a pintura com prestígio na sua época, teria sido capaz de perturbar seriamente o conformismo espectral da burguesia do Segundo Império e dos esbirros de Thiers, Gambetta, Félix Faure, assim como os de Napoleão III. Pois a pintura de van Gogh ataca, não um determinado conformismo dos costumes, mas das instituições. E até a natureza exterior, com seus climas, suas marés e suas tormentas equinociais não pode mais manter a mesma gravitação
depois da passagem de van Gogh pela Terra. Tanto mais razão para, no plano
social, as instituições se decomporem e a medicina parecer um hediondo e imprestável cadáver que declara louco a Van Gogh. Diante da lucidez ativa de van Gogh, a psiquiatria nada mais é que um antro de gorilas obcecados e perseguidos que só dispõem de uma ridícula terminologia para aplacar os mais espantosos estados de angústia e asfixia humana, uma terminologia digna dos seus cérebros tarados. Com efeito, não existe psiquiatra que não seja um erotômano declarado. E não creio em exceções à regra da inveterada erotomania dos psiquiatras.
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E o que é um autêntico louco? É um homem que preferiu ficar louco, no sentido
socialmente aceito, em vez de trair uma determinada idéia superior de honra humana. Assim, a sociedade mandou estrangular nos seus manicômios todos aqueles dos quais queria desembaraçar-se ou defender-se porque se recusavam a ser seus cúmplices em algumas imensas sujeiras. Pois o louco é o homem que a sociedade não quer ouvir e que é impedido de enunciar certas verdades intoleráveis. Nesse caso, a reclusão não é sua única arma e a conspiração dos homens tem outros meios para triunfar sobre as vontades que deseja esmagar. Além dos feitiços menores dos bruxos de aldeia, há as grandes sessões de enfeitiçamento global das quais participa, periodicamente, a consciência em pânico. Assim, por ocasião de uma guerra, de uma revolução, de um transtorno social ainda latente, a consciência coletiva é interrogada e se questiona para emitir um julgamento. Essa consciência também pode ser provocada e despertada por certos casos individuais particularmente flagrantes. Assim foi que houve feitiços coletivos nos casos de Baudelaire, Edgar Poe, Gérard de Nerval, Nietzsche, Kierkegaard, Hölderlin, Coleridge, e também no caso de van Gogh. Podem ser feitos durante o dia, mas geralmente são realizados à noite. Então, estranhas forças são despertadas e levadas à abóbada celeste; a essa espécie de cúpula sombria que, sobre a respiração da humanidade, constitui a venenosa hostilidade do espírito maligno da maioria das pessoas. É assim que as poucas pessoas lúcidas e de boa vontade que se debatem sobre a terra já se viram, em certas horas da noite ou do dia, tragadas pela profundeza de autênticos pesadelos em vigília e rodeadas por uma poderosa sucção, pela poderosa opressão tentacular de uma espécie de magia cívica que logo será vista aparecendo nos costumes de modo mais manifesto. Diante dessa sordidez unânime que de um lado se baseia no sexo e de outro na missa e. outros ritos psíquicos, não há delírio em passear à noite com um chapéu coroado por doze velas para pintar uma paisagem natural; pois como faria o pobre van Gogh para iluminar-se, como tão bem assinalou outro dia nosso amigo, o ator Roger Blin? Quanto à mão assada, trata-se de heroísmo puro e simples; quanto à orelha cortada, pura lógica direta, e repito, um mundo que, cada vez mais, noite e dia, come o incomível para fazer sua maléfica vontade alcançar seus objetivos não tem outra alternativa nessa questão a não ser calar a boca.
POST-SCRIPTUM
Van Gogh não morreu num estado propriamente de delírio, mas por ter sido
corporalmente o campo de batalha de um problema em tomo do qual o espírito iníquo desta humanidade se debate desde as origens. O problema do predomínio da carne sobre o espírito, do corpo sobre a carne ou do espírito sobre ambos. E nesse delírio, onde está o lugar do eu humano? Van Gogh o buscou durante toda sua vida com uma singular energia e determinação, e ele não se suicidou num acesso de loucura, de desespero por não conseguir encontrá-lo, mas, pelo contrário, ele havia conseguido, tinha descoberto o que era e quem era quando a consciência coletiva da sociedade, para puni-lo por ter rompido as amarras, o suicidou. E aconteceu com van Gogh como poderia ter acontecido com qualquer um de nós, por meio de uma bacanal, de uma missa, de uma absolvição ou qualquer outro rito de consagração, possessão, sucubação ou incubação. Assim a sociedade inoculou-se no seu corpo, esta sociedade absolvida, consagrada, santificada e possuída, apagou nele a consciência sobrenatural que acabara de adquirir e, como uma inundação de corvos negros nas fibras da sua árvore interna, submergiu-o num último vagalhão e, tomando seu lugar, o matou. Pois está na lógica anatômica do homem moderno nunca ter podido viver, nunca ter podido pensar em viver, a não ser como possuído.
O SUICIDADO PELA SOCIEDADE
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Os corvos pintados por ele, dois dias antes da sua morte, não lhe abriram as portas de certa glória póstuma, como tampouco o fizeram suas demais telas, mas abrem para a pintura pintada, ou melhor, para a natureza não-pintada, a porta oculta de um mais-além possível, de uma permanente realidade possível através da porta aberta por van Gogh para um enigmático e sinistro mais-além. Não é comum ver um homem, com o balaço que o matou já no seu ventre, povoar uma tela de corvos negros sobre uma espécie de campo talvez lívido, em todo caso vazio, no qual a cor de borra de vinho da terra se confronta violentamente com o amarelo sujo do trigo. Mas nenhum outro pintor além
de van Gogh teria achado, como ele o fez para pintar seus corvos, esse negro de trufa, esse negro de “banquete faustoso” e, ao mesmo, tempo, como que excremencial das asas dos corvos surpreendidos pelo resplendor declinante do crepúsculo. E do que se queixa a terra sob as asas dos faustosos corvos, sem dúvida faustosos só para van Gogh, suntuosos augúrios de um mal que já não o afetará? Pois ninguém, até então, havia conseguido converter a terra nesse trapo sujo empapado de vinho e sangue. O céu do quadro é muito baixo, aplastrado, violáceo como as margens do raio. A insólita franja tenebrosa do vazio que se ergue atrás do relâmpago. Van Gogh soltou seus corvos, como se fossem os micróbios negros do seu braço de suicida, a poucos centímetros do alto e como se viessem por baíxo da tela, seguindo o negro talho da linha onde o bater da sua soberba plumagem acrescenta ao turbilhão da tormenta terrestre as ameaças de uma sufocação vinda do alto. E contudo o quadro é soberbo. Soberbo, suntuoso e sereno quadro. Digno acompanhamento para a morte daquele que em vida fez girarem tantos sóis ébrios sobre tantos montões de feno rebeldes e que, desesperado, com um balaço no ventre, não poderia deixar de inundar com sangue e vinho uma paisagem, empapando a terra com uma última emulsão, radiante e tenebrosa, com sabor de vinho azedo e vinagre talhado. Pois esse é o tom da última tela pintada por van Gogh, que nunca ultrapassou os limites da pintura e evoca os acordes bárbaros e abruptos do mais patético, passional e apaixonado drama isabelino. É isso o que mais me surpreende em van Gogh, o mais pintor de todos os pintores e aquele que, sem afastar-se do que chamamos de pintura, sem sair dos limites do tubo, do pincel, do enquadramento do tema e da tela, sem recorrer à anedota, ao relato, ao drama, à profusa ação de imagens, à beleza intrínseca do assunto, conseguiu imbuir a natureza e os objetos de tamanha paixão que qualquer conto fabuloso de Edgar Poe, Herman Melville, Nathanael Haworthone, Gérard de Nerval, Achim von Arnim ou Hoffmann em nada superam, no plano psicológico e dramático, suas modestas telas, telas que, por outro lado, são quase todas de reduzidas dimensões, como se respondessem a um propósito deliberado. Uma lamparina sobre uma cadeira, um sofá de palha verde trançada, um livro no sofá e está revelado o drama. Quem vai entrar? Será Gaughin ou algum outro fantasma? A lamparina acesa sobre a cadeira de palha verde indica, ao que parece, a linha de demarcação luminosa que separa as duas individualidades antagônicas de van Gogh e Gaughin. Relatado, o motivo estético da sua divergência talvez não ofereça um grande interesse, mas serve para indicar a profunda divisão humana entre os temperamentos de van Gogh e Gauguin. Penso que Gauguin achava que o artista deveria buscar o símbolo, o mito, ampliar as coisas da vida até o mito, enquanto van Gogh achava que é preciso deduzir o mito das coisas mais modestas da vida. De minha parte, penso que tinha absoluta razão. Pois a realidade é tremendamente superior a qualquer história, a qualquer fábula, a qualquer divindade, a qualquer super-realidade. Basta ter o gênio para saber interpretá-la. O que nenhum pintor havia feito antes do pobre van Gogh, o que nenhum pintor voltará a fazer depois dele, pois acredito que desta vez, hoje mesmo, agora, neste mês de fevereiro de 1947, é a própria realidade, o mito da própria realidade, da própria realidade mítica, que está se encamando. Assim, depois de van Gogh ninguém mais soube mover o grande címbalo, o acorde sobre-humano, perpetuamente sobre-humano pelo qual ressoam os objetos da vida real quando se sabe aguçar suficientemente os ouvidos para escutar as ondas da sua maré crescente. Assim ressoa a luz da lamparina, a luz da lamparina acesa sobre a cadeira de palha verde ressoa como a respiração de um corpo amante na presença de um corpo de enfermo adormecido. Soa como uma estranha critica, um julgamento profundo e surpreendente cuja sentença van Gogh pode nos deixar adivinhar mais tarde, bem mais tarde, no dia em que a luz violeta da cadeira de palha tiver acabado de submergir o quadro. E não se pode deixar de reparar nessa incisão de luz arroteada que morde as barras da grande cadeira turva, do velho sofá cambaio de palha verde, embora não seja percebida à primeira vista. Pois o foco de luz está dirigido para outro lugar e sua fonte é estranhamente obscura, como um segredo do qual só van Gogh tivesse conservado a chave. E se van Gogh não tivesse morrido com trinta e sete anos? Não chamo a Grande Carpideira para me dizer com quantas supremas obras-primas a pintura teria se enriquecido, pois não consigo acreditar que depois dos Corvos van Gogh viesse a pintar mais alguma coisa. Penso que ele morreu com trinta e sete anos porque já havia, desgraçadamente, chegado ao término da sua fúnebre e revoltante história de indivíduo sufocado por um espírito maléfico. Pois não foi por sua própria causa, por causa da doença da sua própria loucura, que van Gogh abandonou a vida. Foi sob a pressão do espírito maléfico que, dois dias antes da sua morre, passou a chamar-se doutor Gachet, psiquiatra improvisado e causa direta, eficiente e suficiente da sua morte. Quando releio as canas de van Gogh para seu irmão, convenço-me firmemente que o doutor Gachet, “psiquiatra”, na verdade detestava van Gogh, pintor; e que o detestava como pintor e acima de tudo como gênio. É quase impossível sr ao mesmo tempo médico e uma pessoa honesta, mas é escandalosamente impossível ser psiquiatra sem estar ao mesmo tempo marcado pela mais indiscutível loucura: a de ser incapaz de resistir ao velho reflexo atávico da multidão que converte qualquer homem da ciência aprisionado na turba numa espécie de inimigo nato e inato de todo gênio. A medicina nasceu do mal, se é que não nasceu da doença e não provocou, pelo contrário, a doença para assim ter uma razão de ser; mas a psiquiatria nasceu da multidão vulgar de pessoas que quiseram preservar o mal como fonte da doença e que assim produziram do seu próprio nada uma espécie de Guarda Suíça para extirpar na raiz o espírito de rebelião reivindicatória que está na origem do gênio. Em todo demente há um gênio incompreendido cujas idéias, brilhando na sua cabeça, apavoram as pessoas e que só no delírio consegue encontrar uma saída para o cerceamento que a vida lhe preparou. O doutor Gachet não chegou a dizer a van Gogh que estava ali para endireitar sua pintura (como ouvi o doutor Gaston Ferdiére, médico-chefe do manicômio de Rodez, dizer que estava ali para endireitar minha poesia), porém mandava-o pintar a natureza, sepultar-se na paisagem pra evitar a tortura de pensar. No entanto, assim que van Gogh voltava as costas, o doutor Gachet lhe fechava o interruptor do pensamento. Como quem não quer nada, mas com esse franzir a cara aparentemente inocente e depreciativo no qual todo o inconsciente burguês da terra inscreveu a antiga força mágica de um pensamento cem vezes reprimido. Fazendo assim, o doutor Gachet não só proibia os malefícios do problema, mas também a inseminação sulfurosa, o tormento da punção que gira na garganta da única passagem com a qual van Gogh tetanizado, van Gogh suspenso sobre o abismo da respiração, pintava. Pois van Gogh era uma sensibilidade terrível. Para convencer-se basta dar uma olhada no seu rosto, sempre ofegante e, sob alguns aspectos, também um enfeitiçador rosto de açougueiro. Como o de um antigo açougueiro, agora tranqüilo e aposentado dos negócios, este rosto em sombras me persegue. Van Gogh se auto-retratou em várias telas que, por melhor iluminadas que estivessem, sempre me deram a penosa impressão de que havia uma mentira ao redor da luz, que haviam retirado de van Gogh uma luz indispensável para abrir e franquear seu caminho dentro de si. E esse caminho, certamente, não era o doutor Gachet o mais capacitado para indicá-lo. Pois, como já disse, em todo psiquiatra vivente há um sórdido e repugnante atavismo que lhe faz ver em todo artista e todo gênio à sua frente um inimigo. E sei que o doutor Gachet deixou para a história, com relação a van Gogh, atendido por ele e que terminou por suicidar-se na sua casa, a impressão de ter sido seu último amigo na terra, uma espécie de consolador providencial. No entanto, estou cada vez mais convencido que é ao doutor Gachet de Auvers-sur-Oise que van Gogh ficou devendo aquele dia, o dia em que se suicidou em Auvers-sur-Oise; ficou devendo, repito, ter deixado a vida, pois van Gogh era uma dessas naturezas dotadas de lucidez superior, o que lhes permite, em qualquer circunstância, ver mais além, infinita e perigosamente mais além que o real imediato e aparente dos fatos. Quero dizer mais além da consciência que a consciência habitualmente guarda dos fatos. No fundo desses seus olhos sem pestanas de açougueiro, van Gogh dedicava-se incansavelmente a uma dessas operações de alquimia sombria que tomam a natureza como objeto e o corpo humano como vasilhame ou crisol. E sei que o doutor Gachet sempre achou que isso cansava van Gogh. O que no doutor não era o resultado de uma simples preocupação médica, mas a manifestação de uma inveja tão consciente quanto inconfessada. Pois van Gogh tinha chegado a esse estágio de iluminismo no qual o pensamento em desordem reflui diante das descargas invasoras da matéria e no qual pensar já não é consumir-se e nem sequer é e no qual nada mais resta senão juntar pedaços do corpo, ou seja ACUMULAR CORPOS Já não é mais o mundo do astral, é o mundo da criação direta que é recuperado desse modo, mais além da consciência e do cérebro. E nunca vi um corpo sem cérebro fatigar-se por causa de telas inertes.
Suportes do inerte - essas pontes, esses girassóis, esses teixos, esses olivais, essas pilhas de feno. já não se movem. Estão congelados. Porém, quem poderia sonhá-los mais duros sob o traço seco que põe a descoberto seu impenetrável estremecimento? Não, doutor Gachet, uma tela nunca fatigou ninguém. São as forças de um louco em repouso, não transtornado. Eu também estou como o pobre van Gogh: parei de pensar, mas a cada dia dirijo mais de perto formidáveis ebulições internas e gostaria de ver algum terapeuta qualquer vir repreender-me porque me fatigo.
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No momento de escrever essas linhas vejo o rosto vermelho ensangüentado do pintor vir na minha direção, numa muralha de girassóis eviscerados, numa formidável combustão de fagulhas de jacinto opaco e relvas de lápislázuli. Tudo isso no meio de qualquer coisa como um bombardeio meteórico de átomos em que cada partícula se destaca, prova que van Gogh concebeu suas telas como pintor, apenas e unicamente como pintor, mas um pintor que era exatamente por isso um formidável músico. Organista de uma tempestade suspensa que ri na límpida natureza, uma natureza pacificada entre duas tempestades ainda que, como o próprio van Gogh, mostre claramente o que está para acontecer. Depois de termos visto isso, podemos dar as costas a qualquer tela pintada que já não terá mais o que nos dizer. A tempestuosa luz das telas de van Gogh começa seu sombrio recitativo no momento exato em que deixamos de contemplá-la.
Exclusivamente pintor, van Gogh, e nada mais, nada de filosofia, nada de mística, nada de rito, nada de psicurgia nem de liturgia, nada de história, nada de literatura nem de poesia, esses girassóis de ouro bronzeado são pintados; estão pintados como girassóis e nada mais, mas para entender agora um girassol natural, é obrigatório passar por van Gogh, assim como para entender uma tempestade natural, um céu tempestuoso, uma planície da natureza, de agora em diante é impossível não voltar a van Gogh. Uma tempestade como essa caía sobre o Egito ou sobre as planícies da Judéia semita; talvez houvesse trevas semelhantes na Caldéia, Mongólia ou nas montanhas do Tibet, as quais, pelo que sei, continuam no mesmo lugar. E, no entanto, quando contemplo essa planície de trigo ou pedra, branca como um ossário enterrado, sobre a qual pesa aquele velho céu violáceo, não consigo mais acreditar nas rnontanhas do Tibet. Pintor, não mais que pintor, van Gogh adotou meios de pintura pura e nunca os degradou, quero dizer que, para pintar, limitou-se a usar os recursos que a pintura lhe oferecia. Um céu tormentoso, uma planície branca como cal, telas, pincéis, seus cabelos ruivos, tubos, sua mão amarela, seu cavalete, ainda que todos os lamas do Tibet sacudam sob suas roupas o apocalipse que prepararam, van Gogh nos terá feito sentir antecipadamente o cheiro do seu peróxido de nitrogênio numa tela que contém uma dose suficiente de catástrofe para obrigarnos a nos orientar. Um dia ele decidiu não degradar o tema; mas, quando se vê um van Gogh, já não se pode acreditar que haja algo menos degradável que o tema do quadro. Na mão de van Gogh, o tema de uma lamparina acesa num sofá de palha com uma armação violácea diz muito mais que toda a série das tragédias gregas ou dos dramas de Cyril Turner, de Webster ou de Ford que, além disso, até hoje não foram encenados. Sem querer fazer literatura, é verdade que vi o rosto de van Gogh, vermelho de sangue na explosão das suas paisagens, vir a mim, kohan, taver, tensur, purtan, num incêndio, num bombardeio, numa explosão para vingar a pedra de moinho que o pobre van Gogh, o louco, teve que carregar durante toda sua vida. O fardo de pintar sem saber por quê ou para quê. Pois não é para este mundo, nunca é para esta terra onde todos, desde sempre, trabalhamos, lutamos, uivando de horror, de fome, miséria, ódio, escândalo e nojo e onde fomos todos envenenados, embora com tudo isso tenhamos sido enfeitiçados e finalmente nos suicidamos como se não fôssemos todos, como o pobre van Gogh, suicidados pela sociedade!
(Escritos de um louco,Antonin Artaud)

Campo de Trigo com Corvos
Vincent van Gogh, 1890
óleo em tela
50,5 × 103 cm
Van Gogh Museum, Amsterdam

sábado, 7 de março de 2009

Confession

Waiting for death
like a cat
that will jump on the
bed

I am so very sorry for
mi wife

she will see this
stiff
white
body

shake it once, then
maybe
again:

"Hank!"

Hank won't
answer.

it's not my death that
worries me, it's my wife
left with this
pile of
nothing.

I want to
let her know
though
that all the nights
sleeping
beside her

even the useless
arguments
were things
ever splendid

and the hard
words
I ever feared to
say
can now be
said:

I love
you.

Charles Bukowski

sexta-feira, 6 de março de 2009

A Bruxa de Lair

Fonte: RS URGENTE
O blog do Levante Popular da Juventude satiriza o governo Yeda Crusius com o lançamento do filme "A bruxa de Lair", uma "produção da Lair Ferst Picture". A sinopse é a seguinte: No ano de 2006, três estudantes de magia negra se embrenharam nas florestas de eucalipto do Pampa para um contato imediato com a bruxa lendária que assombra o lugar. Depois disso, nunca mais se ouviu falar de Délson, Busatto e Germano. O que aconteceu com eles? Que fim levaram? Porque esses guris não aparecem mais na TV?Três anos depois, todo o horror vem à tona. Uma gravação em vídeo “com qualidade de cinema” é encontrada. Ela revela os últimos e apavorantes momentos dos três jovens e todas as dimensões do terror que assombra o Rio Grande! É o que você vai ver em “A Bruxa de Lair”. Você vai ficar paralisado de pavor! E não vai levantar da cadeira. Nem por R$ 100 mil!
Postado por Marco Aurélio Weissheimer,
link para o RS Urgente

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Seja duro consigo e generoso com os outros.


'Seja duro consigo e generoso com os outros', é a frase que o protagonista ouve do pai no filme: 'O Intendente Sansho' . Vira o seu farol. Existe coisa mais contracorrente do que isso, no mundo atual? Ainda bem que o cinema ainda tem essas lições de grandeza para nos dar.
Kenji Mizoguchi, cineasta japones
confira o texto completo em;

domingo, 25 de janeiro de 2009

O melhor amigo



A lâmina do machado decepou o braço esquerdo de um só golpe, o engasgo de horror o despertou do pesadelo. Acordou com o membro dormente pelo peso do corpo em mais uma péssima noite de desmaio alcoólico. Sentiu a ânsia de vômito entremeada de calafrios apesar do abafado meio-dia do verão tropical. Abriu a velha geladeira vazia na triste ilusão de encontrar uma cerveja. Bebeu água da pia e teve de correr ao fétido banheiro para não vomitar no corredor. Depois olhou o rosto envelhecido no espelho rachado e viu os músculos da face tremer ininterruptamente como a executar uma muda sinfonia de tiques nervosos. Voltou à cozinha e com a alma no escuro pensou na luz debaixo da pia, o brilho estava exatamente entre a água sanitária e o desinfetante; Pereirinha, álcool 90 graus, mais que depressa agarrou a velha e vazia leiteira metálica e despejou metade da garrafa completando com um pouco de água, em seguida segurando com as duas mãos minimizou a labiríntica tremedeira com um imenso gole. A terrível sensação de envenenamento fez com que, como um cospe fogo, regurgitasse violentamente até expelir o esverdeado líquido que sabia ser a bílis. O segundo gole desceu queimando, mas não voltou igual ao primeiro e como um passe de mágica consumiu com o tremor, os tiques e o mal estar. Fez a barba na firmeza das mãos e antes de sair mirou com gratidão para debaixo da pia deixando escapar um; "fique quietinho aí", como se falasse a um cachorro engarrafado.

Simch

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Eduardo Galeano: "Quem deu a Israel o direito de negar todos os direitos?"


Este artigo é dedicado a meus amigos judeus assassinados pelas ditaduras latinoamericanas que Israel assessorou.
Para justificar-se, o terrorismo de estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe pretextos. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, acabará por multiplicá-los.Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a eleger seus governantes. Quando votam em quem não devem votar são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma armadilha sem saída, desde que o Hamas ganhou limpamente as eleições em 2006. Algo parecido havia ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e, desde então, viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.

Clique no link http://www.rsurgente.net/2009/01/eduardo-galeano-quem-deu-israel-o.html para ler o ótimo artigo no RS URGENTE.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Bolívia rompe com israel.

A Bolívia rompeu hoje (14) relações diplomáticas com Israel e o presidente Evo Morales anunciou que vai processar o presidente Simon Peres e o primeiro ministro de Israel, Ehud Olmert, por genocídio, no Tribunal Penal Internacional, que não é reconhecido pelo Estado israelense. A Bolívia é o segundo país da América Latina a romper com Israel por causa do massacre de palestinos na Faixa de Gaza. O primeiro foi a Venezuela.“Frente a estes graves fatos de atentados à vida e à humanidade, a Bolívia rompe as relações diplomáticas com Israel”, anunciou Evo Morales em um discurso feito diante de diplomatas estrangeiros no palácio de governo. O presidente boliviano também pediu a governos e organizações internacionais que condenem as ações israelenses e defendeu a retirada do prêmio Nobel da Paz entregue a Simon Peres.Evo Morales lembrou que qualquer país pode apresentar denúncia contra os autores de crimes contra a humanidade, como genocídio e extermínio. "Os crimes do governo de Israel afetam a estabilidade e a paz mundial e fizeram o mundo retroceder à pior época dos crimes contra a humanidade desde a 2ª Guerra Mundial e, nos últimos anos, na ex-Iugoslávia e em Ruanda", disse o presidente boliviano. Ele enfatizou ainda que a Bolívia é um país pacifista e não pode ficar apenas como um espectador diante do "genocídio que Israel comete contra a população civil na Faixa de Gaza".
Postado por Marco Aurélio Weissheimer às 21:09 0 comentários , no http://www.rsurgente.net/2009/01/bolvia-rompe-com-israel-evo-morales.html


Veja o mapa...


O mapa original da Palestina é o primeiro a esquerda. Aí os dirigentes europeus e USA-americanos, para se livrar de seus "judeus", ou para aplacar suas consciências, resolveram oferecer-lhes uma terra que não lhes pertencia.Os novos habitantes, não satisfeitos, resolveram apossar-se de tudo. Notem que o mapa foi ficando cada vez mais branco. Os semitas palestinos iam sendo assassinados ou jogados ao mar.Tudo em nome da paz.E em nome da paz o mapa de Israel continuava avançando.Os palestinos que se defendiam eram chamados de terroristas.Hoje, aos palestinos restaram apenas 17% do território original.
Mas Israel oferece apenas 13 por cento...O que você faria numa situação dessas?Mas cuidado! Dependendo da resposta você poderá ser acusado de terrorismo...

Postado por bourdoukan às 05:53:00 0 comentários Links para esta postagem

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Enquanto isso em londres...


Judeus anti-sionistas protestam em Londres. Eles consideram o estado de israel um estado herege, que vai contra as Escrituras.
Postado por bourdoukan às 10:26:00 4 comentários Links para esta postagem

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

"ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER"


"ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER"
VOCÊ É ADEREÇO
por Laerte Braga

Jean Charles foi assassinado por policiais ingleses treinados por agentes do serviço secreto de Israel, o MOSSAD, numa estação de metrô em Londres. A Scotland Yard em nota oficial lamentou o ocorrido e justificou a ação dos policiais. O brasileiro se "comportara de maneira estranha" e isso sugeriu aos policiais que pudesse ser um terrorista. Um menino de três anos estava num carro com sua mãe e seu irmão, na cidade do Rio de Janeiro e foi morto por um policial militar. O policial foi absolvido. Estava com outros policiais em perseguição a um carro suspeito e, em dúvida, fuzilou o menino. Confundiu os carros. O governador do Rio, Sérgio Cabral, em nota oficial, falou em estrito cumprimento do dever. Prometeu providências. Os policiais brasileiros importaram técnicas de combate ao "crime" e ao "terrorismo" dos soldados que "libertaram" o Iraque das armas químicas e biológicas de Saddam Hussein. Eram invisíveis, mas segundo Bush existiam e serviriam para destruir o mundo, a humanidade. A denúncia que policiais do Rio estão usando táticas e técnicas dos norte-americanos no Iraque foi feita pelo jornal THE WASHINGTON POST, no caso, insuspeito. Dan Mitrione era um agente secreto do governo dos EUA. Veio ao Brasil treinar torturadores à época da ditadura militar. Fez isso em todos os países do chamado Cone Sul (Brasil, Argentina e Uruguai, de quebra o Paraguai). Aqui virou nome de rua, no Uruguai terminou morto num esgoto. A nota oficial da polícia britânica sobre a morte de Jean Charles enfatiza a condição irregular do brasileiro no país e destaca que os agentes apenas cumpriram com o seu dever e tudo não passou de um "lamentável equívoco". Devem ter respirado aliviados quando se descobriu que era um brasileiro ilegal e não um cidadão britânico. Teria caído o governo ou perto disso. Quando da tragédia do metrô em São Paulo, as empresas participantes do consórcio construtor (Norberto Odebrecht, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa) divulgaram nota prometendo apoio às famílias das vítimas. No dia seguinte retificaram. As indenizações não alcançariam um dos mortos, pois em seu bolso havia um papelote contendo cocaína, logo, um "criminoso" no local errado, na hora errada. O governo de Israel determinou às suas embaixadas em todo o mundo que se organizem para defender o genocídio contra palestinos em nome do combate ao "terrorismo". Os comunicados limpos, assépticos, frios, são típicos dos tempos de barbárie que transformam pessoas em objetos consumidores. É preciso compreender que há um espetáculo/vigilância montado para garantir a GENERAL MOTORS/MORTOS, a FORD, a CHRYSLER, os bancos que quebram, a indústria pornográfica de Los Angeles em vias de falir. É preciso desprendimento para perceber que todo sacrifício é pouco diante da faina diária de D. Ermírio de Moraes, chefe de uma das mais poderosas quadrilhas do Brasil, o grupo Votorantim. Se o banco do grupo quebra o BNDES compra 49% das ações com o dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador e pronto. O trabalhador trabalha, afinal quer o que? D. Ermírio levanta-se às seis horas da manhã, cuida da saúde de forma adequada e sai por aí lesando a saúde de milhões de brasileiros na destruição constante e permanente do meio-ambiente em seus "negócios". O Hamás existe em todas as partes do mundo. É o cidadão ou grupo que não alcança o elevado significado dos povos eleitos e superiores. Os únicos capazes de ouvirem a voz de "deus" e cumprirem as "ordens divinas". Se eventualmente morre um Jean Charles, paciência. Você deve dar graças a Deus por estar vivo, pois é apenas adereço nesse processo todo. E trate de seguir as regras. As redes de tevê e a grande mídia, esclarecedora e libertadora, ensinam a você como fazer para emagrecer sem deixar de consumir acepipes de primeira qualidade. A roupa adequada para malhar, manter a forma e queimar um número determinado de calorias por dia. Explica a você que "terroristas imundos", incapazes de apreciarem toda a parafernália de um shopping, têm que ser eliminados, do contrário você corre perigo. Aceitar a morte de um menino de três anos como estrito cumprimento do dever e agradecer que nada lhe aconteceu, ou aos seus. O poderoso exército de Israel decidiu abrir espaço para "ajuda humanitária" aos palestinos mortos que nem moscas em suas terras. No meio do caminho os canhões, aviões libertadores do nazi/sionismo dispararam contra os caminhões que levavam remédios, alimentos e roupas para vítimas desse novo holocausto, matando um motorista. A ONU quer que o caso seja investigado. Bobagem. Um general qualquer do Reich de Tel Aviv deve ter tido um surto, generais israelenses vivem surtados e imaginado que ou havia armas no caminhão, ou os remédios e alimentos seriam usados pelo Hamás para fortalecer seus integrantes. Quem sabe o espinafre do marinheiro Popeye? Israel em si já é um surto. Cidadãos do país que se recusam a participar do genocídio contra palestinos são presos e julgados como desertores. Não obedeceram às ordens de estrito cumprimento do dever. Os que protestam correm riscos. Devem acatar que sionistas são gente superior e o resto é o resto, ou... A "liberdade" chega em forma de bombas. O TIMES, de Londres, também insuspeito no caso, denunciou pela segunda vez o uso de armas químicas nos bombardeios assassinos contra palestinos. Armas contendo fósforo, tungstênio e urânio empobrecido. É justificável. Trata-se de palestinos e "deus" mandou que antes das eleições em Israel fosse morto o maior número possível de palestinos para assegurar a vitória do atual governo de Tel Aviv. Tudo isso e mais alguma coisa é estrito cumprimento do dever legal. Você, eu, todos os que não pertencemos aos povos superiores somos meros adereços. É um modelo que se reproduz em efeito cascata e desumaniza o ser humano. Não se trata de "hei de vencer mesmo sendo professor" como nos bons tempos. Que eram péssimos. Mas de "hei de chegar a Ermírio de Moraes". Ou "hei de ser do exército sionista". É tudo clean. Limpeza, a palavra exata. Limpeza étnica. Quando chegarem perto da sua roseira você vai perceber que palestinos somos todos nós. Nada mais que meros adereços para o estrito cumprimento do dever legal. O deles. E trate de agradecer o emprego que você tem. Mesmo que o preço a pagar seja o sorriso (era Kolynos) à hora do almoço para o patrão. Ele não difere nada de você. É apenas alguém que percebeu as vantagens do estrito cumprimento do dever legal. E depois pega um pão de nozes e um por fora nessa história toda. Disfarce essa cara de palestino com um personal trainer. Use os produtos de beleza que mantiveram Ingrid Betancourt jovem e faceira num cativeiro de dez anos na selva, em meio a hepatite, mais isso, mais aquilo e agora receba em troca o patrocínio dos donos para exibir-se defendendo a liberdade. O máximo que pode acontecer é alguém no estrito cumprimento do dever confundir você com um bandido, ou com um palestino/terrorista. Aí não reaja. Morra e sinta-se feliz de dar a vida pelo modelo político e econômico que garante o futuro deles. É tudo estrito cumprimento do dever. E as embaixadas de Israel estão às ordens para esclarecer o distinto público consumidor de todas as atitudes tomadas em defesa da "liberdade" e do "direito de existir". Ouça, leia e cale-se. Do contrário não adianta nem ser da ONU. Ah! A Cruz Vermelha corre sério risco de virar "organização terrorista". É que acusou o governo nazi/sionista de Israel de estar desrespeitando a Convenção de Genebra. Aquela que buscava para defender-se quando eram prisioneiros nos campos de Hitler. E antes de dormir veja se não tem ninguém do Hamás debaixo de sua cama. Todo cuidado é pouco