quinta-feira, 31 de março de 2011

Na Palavraria no lançamento de "Ordinário" de Rafael Sica


O lançamento de Ordinário, de Rafael Sica. Na foto acima você vê Rafael Corrêa, Rafael Albuquerque, Eduardo Medeiros, Rodrigo Rosa, Rafael Sica, Ruben Castillo, Eduardo Simch, Mateus Santolouco e Azeitona.



Filosofando com Ethon Fonseca e Fabiano Gummo.

sábado, 12 de março de 2011

O maior vespeiro


Senhoras e senhores, sejam bem-vindos ao pior de todos os vespeiros; o que é arte?
De forma resumida e sintética, quase criminosa como um rinoceronte numa loja de louças eu diria que na história da humanidade formularam-se três definições explícitas a respeito da arte; alguém já citou Platão que afirmava que a arte imita a vida e por essa sua definição, ele mesmo a desprezava, já que na teoria platônica a própria vida era uma cópia de um universo ideal. Dessa forma quem imita uma imitação erra duas vezes e não merece crédito algum. Já seu discípulo Aristóteles discordava da definição, defendendo que a arte não imita a vida, mas a representa que é bem diferente. Primeira definição; Imitação/Representação.
Passaram-se séculos numa eterna e inteminável discussão até a vizinha era dos "ismos", em que críticos, artistas e estudiosos catalogaram movimentos artíscos; realismo, fauvismo, cubismo, surrealismo, expressionismo e etc. Todos partindo do pressuposto que a arte exprime sentimentos do artista. Notem que aqui ela já não copia, nem imita, nem representa a realidade, mas exprime sentimentos. Segunda definição; Expressionismo, (mesmo sendo um movimento em particular, ele funciona como carro chefe de todos os ismos.) Mas essa segunda definição também foi desqualificada por filósofos sob um argumento parecido com: dez copos de vinho me deixam tonto, mas quem me garante que tonto estava o fabricante??
Exprimir emoção X Provocar emoção
Fervilhando em milhares de cabeças os questionamntos se multiplicam; Existe uma característica essencial em todas as obras de arte? O único consenso é que só a emoção estética classifica a arte. E só obras genuinamente artísticas tem o dom de provocar a emoção estética em nós.
Terceira definição: Forma significante: É o que o filósofo inglês Clive Bell denominou de "Forma significante" , em sua Teoria Formalista, (Expressionismo X Formalismmo) , ele nos deixa questionamentos tipo; Existe alguma propriedade comum em todas as obras de arte? Tarefa que nenhum estudo deu por terminada. Em síntese ele defende que a pergunta a ser feita não é;
O que é arte?, mas sim:
Quando há arte?
http://criticanarede.com/fil_tresteoriasdaarte.html
Ilustração, Simch; Entrando pelicanos, acrílica s/ tela

Aos interessados sugiro consultar;
Clive Bell,
Morris Weitz,
George Dickie,
Nelson Goodman.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Onze de setembro


Esperar sempre foi para muitos, motivo de ansiedade e com Everaldo não era diferente. Há vinte minutos aguardava Sônia, sua noiva, que conseguira um cargo importante numa multinacional americana. Apreciando a paisagem da metrópole, pensava em como as mulheres exerciam com competência tarefas que historicamente tinham sido exclusivas dos homens. Orgulhava-se de Sônia que, com seu diploma na bagagem encarara um país estrangeiro e vencera, só não gostava de esperar, ainda mais naquela altura vertiginosa. Idéia da moça que queria comemorar o reencontro num monumento da cidade, mas Everaldo havia imaginado a Estátua da Liberdade, o Museu de Arte Moderna, talvez algum ponto turístico na baía de Houston. Jamais imaginara que sua noiva escolheria o topo de uma das torres gêmeas.

O homem que sofria da chamada "vertigem das alturas", suportava a fobia pensando na amada.
No 22º andar, eufórica, a mulher aguardava o elevador social ao qual fazia jus pelo cargo conquistado. Ciente de seu atraso não via o momento de encontrar o amado e contar-lhe que trabalhava naquele prédio. Regozijava-se em pensamento, ela, brasileira de cidade do interior, trabalhando no prédio mais alto de Nova York. Símbolo do capitalismo mundial. Esforçara-se muito para conseguir o cargo de diretora adjunta no escritório comercial da Boston & Boston Corporation, que possuía meio andar no prédio do Word Trade Center.
Everaldo no topo da torre misturava impaciência e expectativa, ansiedade potencializada pelo medo de altura. Era sua primeira viagem a América do Norte, não falava o idioma, razão pela qual já tinha sido rotulado de “cucaracha” pelo motorista do táxi que o trouxera ao prédio e ainda teve de subir pelo elevador de serviço. Começara a sofrer a discriminação na própria carne, mas nem pensava em chatear a noiva com suas reclamações terceiro-mundistas.
Sônia transbordava de alegria naquela ensolarada manhã quando o elevador chegou. Apenas funcionários do segundo escalão estavam no móvel vertical, nome granfino de elevador, pois diretores e presidentes das grandes corporações só vinham à tarde, isso quando compareciam nos escritórios.
O estrondo chegou com segundos de atraso. Primeiro o elevador transformou-se em forma de ampulheta, como lata de refrigerante amassada ao meio, a cabeça da ascensorista parara no colo de Sônia, decepada por uma das tantas lâminas de aço que compunham o elevador social, em seguida, em meio a um ruído ensurdecedor, os cabos se romperam e a caixa metálica teve queda livre até o térreo matando a todos no seu interior.
Everaldo, no terraço, com meio corpo para fora do parapeito nem tentou entender o que acontecia e superando o medo de altura, conseguiu voltar para o topo num esforço digno de super-herói de histórias em quadrinhos. A laje do terraço envergada começou a ruir levando consigo outros que ali estavam. O homem batendo em antenas, pedaços de ferro, caixas de ar condicionado despencou oito andares e caiu num recinto em escombros onde desmaiou. Foi acordado pelo ensurdecedor ruído da segunda torre desabando em chamas, em seguida, em meio ao inferno de gritos e sirenes vislumbrou por uma fresta sob os entulhos de vidro, aço e concreto, algo parecido com a cabine de um avião. A enorme cápsula retorcida ocupava metade do espaço da grande sala. Entre o pavor da tragédia e o alívio de sofrer ferimentos leves ficou em pé e com um pedaço de ferro conseguiu tirar o único piloto vivo do bico da aeronave. O homem não usava o tradicional uniforme dos aviadores comerciais, vestia roupas civis e parecia catatônico. Everaldo o sacolejou, o esgofetiou até reanimá-lo. O piloto levantando-se e ignorando seu salvador, olhou para fora do prédio, depois se voltou para Everaldo e sorrindo disse algumas palavras numa língua que o ex-noivo também não compreendia, mas identificou a palavra Alá. E para maior surpresa, o piloto falando um inglês sem sotaque deu  forte abraço em Everaldo, que continuou sem compreender nada.
Os dois perderam a conta dos lances de escada que desceram, entre entulhos, cadáveres e desabamentos, com mútua ajuda superaram os terríveis obstáculos. No segundo andar conseguiram saltar, em meio a fuligem, em um amontoado de pedras e passando por uma retorcida ventana chegaram até a rua. Help! Gritava Everaldo, até ser socorrido por uma das inúmeras equipes de resgate que se encontravam no local. Tentava dizer que havia outro sobrevivente, mas naquele momento não falar o idioma correspondia a ser mudo. Assim como mudos são os desígnios de Alá.

Eduardo Simch
2002

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Pablo Picasso e Jean Cocteau:


Picasso, Matisse, Chagall e eu, no litoral norte paulista, onde Renoir costumava viver. Temos tentado derrotar o espírito destruidor do nosso tempo. Temos ornamentados as superfícies que os homens sonham para demolir. Talvez o amor do nosso trabalho irá protegê-lo das bombas.
(La Villa Santo-Sospir)

Jorge Aragão- Falsa Consideração(Ao Vivo)


Pra não dizer que detesto tudo q se chame pagode, aqui vai um q curto.

Horóscopo chinês























quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Poema em linha reta




Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

"Adam and Eve", do mestre dos mestres Gustav Klimt,

A segunda vez que eu morri

O fato é que a segunda vez que eu morri ocorreu antes da primeira, são acontecimentos que não se sujeitam nem ao tempo nem ao espaço. Praça do Alto da Bronze, 1965, esquina rua Duque de Caxias com a General Portinho. Depois de um saboroso café da manhã na casa de meu avô atravesso a rua e vou brincar na pracinha em frente sob o olhar vigilante de minha mãe. Com a energia dos meus cinco anos de idade me reuno a outras crianças para brincar de esconde-esconde, (antigamente chamava-se só brincar de esconder), onde um dos participantes fecha os olhos e conta até dez bem devagar e os outros procuram esconderijo. Terminada a contagem o primeiro a ser encontrado será o próximo a procurar. Ao lado da imensa paineira que existe até hoje nessa praça, havia várias outras árvores menores, entre elas um ipê amarelo no qual resolvi subir, mas não conseguia achar um galho que me ocultasse completamente, pois na brincadeira de esconder, para ser “achado” basta ser visto e como eu via o menino que fazia a contagem era lógico que ele também podia me ver. Sempre tive facilidade em subir em árvores e subi mais um galho e mais um. O problema é que esse “mais um” não era nem um galho, mas um ramo, fui apresentado ao famoso “frio na barriga”, um suspiro curto e uma pontada no estômago. Despenquei seis metros parando sentado no chão de terra batida. Sentado caí, sentado fiquei. Quando notei que não conseguia levantar e nem dobrar a coluna para a posição ereta chamei pela minha mãe, que na verdade já estava ao meu lado junto com outros pais e curiosos. Lembro-me como se fosse hoje quando um homem quis pegar-me no colo, do outro lado da rua meu avô gritou com autoridade; ninguém toca no menino, foi a primeira e única vez que vi meu avô gritar. Chegou bem próximo a mim e passando levemente a mão na minha cabeça disse; deita de lado Duá, (meu apelido de infância), em seguida pediu ao zelador da praça para trazer uma tábua de construção e cuidadosamente me colocou na mesma posição em cima da tábua. Fui carregado por dois voluntários na maca improvisada até a casa de meu avô, do outro lado da rua. Ainda em cima da mesma tábua, agora colocada sobre a mesa de jantar, senti as manoplas do neurocirurgião, meu avô, apalparem-me a base da nuca, e minuciosamente irem descendo vértebra por vértebra. Um pouco abaixo da metade das costas senti uma fisgada e meu avô, quase com felicidade disse; é aqui! Não sei que milagre se passou, mas ao término de uma forte pressão de seus dois polegares senti um alívio imediato estiquei as pernas endireitei a coluna e adormeci. Meia hora depois já estava correndo pela casa. Foi a segunda vez que eu morri.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Pablo Neruda: Entrevista 1971


Que ducaralho essa entrevista, começa falando em política, na esquerda e tal e vai abstraindo, o poeta vai diluindo o "embaixador" toma conta total e quase vira um pássaro.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

The Marmalade - Reflections Of My Life


Bah, essa é do tempo dos bailezinhos caseiros, as reuniões dançantes, ou simplesmente "reúna". Quá...